quarta-feira, 23 de julho de 2008

Golfinho-flipper (Tursiops truncatus)


Golfinho-flipper

Classe
: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Odontoceti
Família: Delphinidae
Gênero: Tursiops sp.
Espécie: Tursiops truncatus (Montagu, 1821)

O golfinho-flipper é o arquétipo do golfinho, conhecido desde a antiguidade pelos gregos e romanos por causa do seu comportamento e presença comum em regiões costeiras do mar Mediterrâneo. Atualmente a sua popularidade se deve a famosa série de TV “Flipper” (que inclusive lhe rendeu o nome popular atual) e pelo fato de ser a principal espécie ainda utilizada em espetáculos circences em aquários e oceanários.

Além do nome popular golfinho-flipper esta espécie é também conhecida por golfinho-nariz-de-garrafa, tradução ao pé da letra do nome em lingua inglesa bottlenose dolphin. Pescadores e populares chamam este animal simplesmente por golfinho, toninha, tuninha, delfim ou boto.

Animal de grande porte, o golfinho-flipper pode atingir 380 cm de comprimento total, pesar entre 260 e 500 kg e viver até 40-45 anos.

O golfinho-flipper é uma espécie cosmopolita, ocorrendo em todos os mares e oceanos das regiões tropicais e temperadas de todo o planeta, ocupando uma vasta gama de habitats, desde estuários e demais ambientes costeiros, quanto em regiões de águas profundas ou restritas ao redor de atóis e ilhas oceânicas. Esta espécie é conhecida devido a sua adaptabilidade a qualquer tipo de ambiente marinho, estuarino ou ate memso fluvial, sendo inclusive bastante resistente e adaptável a confinamentos temporários em lagunas e piscinas naturais, carcaterística que permitiu a sua manutenção em cativeiro em larga escala e com finalidades diversas.

No litoral baiano o golfinho-flipper pode ser avistado ao longo de toda a costa sobre a plataforma continental, sendo mais comum em frente a cidade do Salvador, litoral norte e baixo sul do estado, e região dos Abrolhos.

O golfinho-flipper pode formar pequenos grupos de 2 a 15 indivíduos, geralmente em águas costeiras, ou sobre a plataforma continental; ou grupos numerosos com centenas de indivíduos. A composição e estabilidade destes brupos também pode variar, podendo formar grupos permanentes só de fêmeas, grupos mistos com machos e fêmeas, grupos só de machos ou grupos mistos com espécies diferentes, como o golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis), o golfinho-de-risso (Grampus griseus), golfinhos-comum (delphinus spp.), o golfinho-pintado-do-Atlântico (Stenella frontalis), as baleias-piloto (Globicephala spp.), a falsa-orca (Pseudorca crassidens), e diversas outras espécies, com quem inclusive pode gerar proles hibridas, sendo os mais comuns entre golfinho-flipper e golfinho-de-dentes-rugosos e entre golfinho-flipper e falsa-orca.

Apesar de formar grupos mistos com diversas outras espécies de cetáceos o golfinho-flipper também pode apresentar comportamento agressivo contra outras espécies, chegando inclusiver a agredir e elvar a óbito alguns indivíduos. Apresenta este tipo de comportamento geralmente contra espécies menores que ocupem o mesmo nicho ecológico que eles na área de ocorrência. Poder ser agressivo ate mesmo contra indivíduos solitários da mesma espécie, indivíduos de grupos distintos ou filhotes de outros machos, chegando inclusive a cometer infaticidios.

O golfinho-flipper é famoso por sua notável inteligência, curiosidade e potencial acrobático, além de ser a espécie que mais interage com o ser humano se aproximando de qualquer tipo de embarcação quando freqüentemente pratica o bow ride. É comum ver o golfinho-flipper surfando qualquer tipo de onda, inclusive nas ondas provocadas pelo deslocamento de embarcações rápidas, pelo deslocamanto de uma baleia ou até mesmo provocadas por grandes tempestades. No litoral baiano esta espécie é ocasionalmente observada surfando em companhia de humanos na praia do “Scar Reef”, litoral norte do estado. Além dos bow ride e do surf o golfinho-flipper realiza ainda uma grande variedade de comportamentos aéreos como diversos tipos de saltos, periscópio, e batidas de cabeça e de nadadeira caudal.

As principais ameaças ao golfinho-flipper são as redes-de-pesca, a poluição dos mares e a degradação do seu habitat.

Pescadores do Japão, Venezuela, Peru, Chile, Filipinas, Sri Lanka, oeste da África, Mar Negro, norte do oceano Índico, entre outros capturam golfinhos-flipper com fins de subesistência e para fornecer espécimes para a indústria do entretenimento como aquários e oceanários.

O polêmico documentário “Welcome to Taiji” (2005) apresentado na 19ª Reunião Anual da European Cetacean Society (ECS) mostra cenas fortes das campanhas japonesas de captura de golfinhos-flipper nas águas de Taiji denominadas Drive Fisheries. Este vídeo mostra desde o cerco para a captura até o sangramento de indivíduos capturados para o consumo da carne, mostrando também a captura de indivíduos para a indústria do entretenimento.

Os padrões e ciclos reprodutivos do golfinho-flipper são os mais bem conhecidos dentre as espécies de cetáceos, a gestação dura aproximadamente 1 ano quando nasce apenas um filhote medindo entre 84 e 140 cm de comprimento toal e pesando de 14 a 20 kg. O período de lactação é também de 1 ano e o intervalo entre as crias varia de 2 a 3 anos.

Devido aos seus habitos e distribuição em diversos ambientes, sua alimentação também é bastante diversificada, não possuíndo uma preferência alimentar específica, o golfinho-flipper preda uma grande variedade de organismos a depender do habitat. Indivíduos costeiros tendem a se alimentar de organismos estuarinos ou recifais, animais oceânicos possuem alimentação mais restrita e comem apenas cefalópodes e peixes oceânicos.

Assim como a presa, a técnica de captura também é bastante diversificada e da mesma forma varia de acordo com o ambiente ou com a espécie alvo, podendo apresentar padrões de pesca tanto coletivos como solitários. Para capturar suas presas o golfinho-flipper é capaz de descer a cerca de 500m de profundidade ou até mesmo encalhar propositalmente para capturar sua presa na linha de maré. Oportunista o golfinho-flipper desenvolveu diversas técnicas de pesca cooperativa com os humanos e ate memso tecnicas para “roubar” presas das redes e linhas dos pescadores. Em áreas de pesca de arrasto de camarão o golfinho-flipper aprendeu também a se aproveitar do by catch desta operação.

Descrição da espécie: o arquetipo do golfinho, coloração cinza com o dorso um pocuco mais escuro e o ventre claro; corpo e cabeça robustos; rostro relativamente curto e largo; nadadeira dorsal relativamente alta e falcada, porém pode apresentar algumas variações. Ocasionalmete o golfinho-flipper apresentas manchas pelo corpo semelhante às dos golfinhos pintados, porém em menos quantidade e normalmente concentradas na região da garganta e ventre.

Pode ser confundido com: o golfinho-flipper pode ser confundido com diversas espécies de golfinhos, como o golfinho-pintado-do-Atlântico que não possui registro para o litoral baiano, porém este é menor que o golfinho-flipper e apresenta quando adulto o corpo coberto por pintas; pode ser confundido também com o golfinho-de-dentes-rugosos, porém este é um pouco menor, apresenta o rostro bem mais comprido sem distinção de divisão com o melão e a nadadeira dorsal é relativamente mais alta, além de apresentar um manto dorsal escuro característico; pode ser confundido ainda com o golfinho-de-risso, porém este apresenta cabeça globular e rostro pouco proeminente, quase imperceptível. O golfinho-flipper pode ser confundido ainda com as espécies de golfinhos oceânicos dos gêneros Stenella spp. e Delphinus spp., porém estes apresentam padrão de colorido mais complexos apresentando sempre o manto dorsal mais escuro, quase negros e bem definidos além de serem menores e apresentarem a nadadeira dorsal também relativamente menor.

Rodrigo Maia-Nogueira
Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática)
Núcleo de Ecologia e Conservação dos Cetáceos (ICet)
maianogueira@gmail.com

Um comentário:

Unknown disse...
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